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DIRETÓRIO
DO PARTIDO DOS TRABALHADORES
a/c
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Alameda
Princesa Izabel, 160 - São Francisco, Curitiba - PR, CEP 80410-110
Postei hoje a minha carta:
Olá Eterno Presidente Lula,
Que Deus e os Espíritos de Luz estejam contigo em
todos os momentos, principalmente neste triste e injusto momento. Desejos muito
de que estejas com saúde e em paz no Espírito.
Eu escreveria de próprio punho se minha letra não
fosse tão ilegível, me desculpe.
Chorei muito no dia que decretaram nossa prisão.
Chorei sozinho tendo Deus e os Espíritos que me acompanham como testemunhas. É
algo inaceitável.
Então vi a multidão em São Bernardo do Campo. Vi
meus irmãos reunidos em torno de nosso Líder. Vi a sabedoria agindo de forma
histórica e foi neste momento que senti na alma a bondade de Deus aliviando meu
sofrimento e o sofrimento de milhões de Brasileiros. Foi neste momento que fui
percebendo a importância de passarmos por isso. A tortura de mais de 40 anos
chegava ao fim. Nosso Líder ia pra cadeia por cometer o crime de implementar a
justiça social e fazer que a política solidária se tornasse uma referência para
ser seguida por outros países em desenvolvimento através dos BRICs. Sim, é por
isso que nosso Lula está preso. Por este crime monstruoso de trazer esperança
aos povos mais pobres de todo o planeta Terra.
Presidente, meu nome é Miguel de Arraes, Leonel de
Brizola e Santos de meu Pai. Talvez o Santos seja de todos os Santos filhos de ninguém
que sofre a barbárie milenar da desumanidade social. Meu Pai, Lourival
Lourenço, era Líder rural no interior de São Paulo, Castilho, fazenda Primavera,
em 1964. Na semana do golpe Ele ouvia no rádio Brizola e Arraes, Govenador do
Rio grande do Sul e Pernambuco, discursarem em hora intermináveis contra o
golpe militar que se aproximava. Foi neste momento que minha mãe deu a luz, 26
de março de 1964. Eu nasci e meu Pai foi logo me nomeando Miguel Leonel dos
Santos. Por ironia do destino, 25 anos depois contrariei meu Pai e apoiei Lula
ao invés de Brizola. Confesso que as vezes me arrependo deste voto porque hoje
fico na dúvida se não era a vez de Brizola ser Presidente e Ele poderia nos
livrar deste império de mal chamado Rede Globo. Digo as vezes porque também sei
que talvez a Rede Globo tenha que ter existido neste tempo todo porque cabe a
cada cidadão o direito de trocar de canal e escolher. Talvez a história esteja
certa e tudo tivesse que acontecer da forma que aconteceu e hoje pagarmos o
preço de ver nosso Líder preso por mentiras disseminadas e assimiladas por
parte de nossos irmãos brasileiros.
Estamos diante de um divisor de água na história da
humanidade neste planeta. Será que vamos nos auto destruir em ódios ou vamos
fazer o amor e a solidariedade vencer?
Tudo isso, Presidente, me faz lembrar quando era
membro do grupo de Jovens e de Trabalhadores da Comunidade Eclesial do
Profilurb – Projeto Financeiro de Lotes Urbanizados. A Prefeitura de Campinas
construiu um cômodo com um banheiro e reuniu diversas favelas de Campinas neste
lugar conhecido como bairro “ouro verde”. Realmente nós pobres somos de Ouro e
lá construímos umas das Comunidades de Base mais lutadora da Cidade de
Campinas.
Foi neste lugar, nesta realidade que conheci Gandhi.
Fui ver o filme porque a Agente Pastoral, Zilda Santesco, uma Mulher que
dedicava todo seu tempo livre a CEBs do Profilurb nos convidou e bancou o
ingresso do cinema e depois pagou até um jantar num restaurante onde conversamos
sobre o filme. Imagina um favelado comer carne num restaurante na década de 80.
Meu...matei a miséria de anos a fio, risos!
Àquela história do Gandhi mudou a minha vida.
Fiquei fascinado por ver aquele indiano magrinho fazer uma revolução pregando a
não violência e o amor ao “inimigo” ao qual Ele chamava também de nossos irmãos
ingleses. O Cara reunia Grandes multidões e dezenas Deles se ofereciam para a polícia
simplesmente descer o cassete sem dó. E isso se repetia tantas vezes que os policiais
ficavam com os braços doendo de tanto dar cassetada e derrubar aquelas
multidões de Indianos reunidos nas ruas das cidades da Índia.
Gandhi fazia jejum pela Não Violência quando algum
ato violento ocorria. Deixou envergonhado todo o Império Inglês. Cansados da
própria violência tiveram que negociar a independência da Índia.
É uma história incrível. Conquistar a Independência
pregando o amor ao próximo. O amor como forma de seduzir mentes e corações.
Tudo isso me fez ser não só fascinado por Gandhi,
mas também a me policiar contra meus pensamentos e atitudes violentas contra
nossos irmãos que pensam diferente de nós. Fez-me também entender que a luta
por justiça social só pode ser vencida se nossos irmãos passarem a sentir o que
sentimos: Amor ao próximo. Creio que esta seja a maior e única Grande revolução
que pode transformar a face da Terra num lugar do Universo que poderemos dizer
que aqui mora a Humanidade.
Presidente desculpe pela carta longa. Obrigado por
me fazer lembrar destas histórias de amor. Que Deus nos ajude a libertar nossas
almas porque enquanto o Senhor estiver preso todos nós sentiremos em nossos
corações a dor da opressão e da injustiça.
Mandei imprimir uma das belas imagens dos dias de
resistência em São Bernardo e ainda te enviarei esta semana.
Que Deus esteja contigo, a Luta Continua. Tenho
certeza que a Dona Marisa está num lugar onde os Espíritos Justos e Bondosos
chamam de Lar e se reúnem para ajudar os seres incorporados em nosso planeta.
Campinas,
10 de abril de 2018.
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Miguel Leonel
dos Santos
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