segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Contentamento

"O contentamento é a mais linda melodia que pode surgir do nosso coração. Como um verdadeiro cartão de apresentação, o contentamento revela a qualidade dos nossos pensamentos e intenções. A honestidade e a verdade estão sempre presentes nas ações de pessoas contentes. Pessoas assim são corajosas e destemidas nos seus relacionamentos. Elas tornam-se joias vitoriosas e encorajam outros a progredirem através do seu exemplo. Mesmo diante do maior obstáculo, quando a fé está associada ao contentamento, uma natureza fácil é criada e tudo é superado naturalmente."

Brahma Kumaris

Desapego

"Libertar-se do apego significa ficar livre do pensamento de que isso ou aquilo deveria acontecer. É simplesmente deixar o hábito de ver as coisas apenas a partir da nossa ótica e dos nossos próprios interesses. Somente quando somos desapegados das nossas ideias podemos ficar receptivos às ideias dos outros. Ser desapegado é aceitar a realidade tal como ela é e aproveitar as oportunidades da vida sem oferecer resistência às mudanças nos outros e nas circunstâncias. E, ainda assim, sermos capazes de assumir nossas responsabilidades com os outros e com a sociedade."
Brahma Kumaris

Despreocupação

"Que você tenha o poder de valorizar o presente, porque este é o único tempo real que você pode dispor. O passado é como um filme que já passou e não volta mais, mas que deixou uma impressão na sua memória. O futuro é uma fantasia cujos acontecimentos poderão estar além da sua percepção. Para terminar com as preocupações, torne seu presente tão valioso e real quanto possível. Além disso, plante uma semente de fé e esperança no futuro para que o melhor aconteça, mas faça isso de forma despreocupada. Fique desapegado daquilo que você gostaria de ver realizado. E tenha paciência!"
Brahma Kumaris

Discernimento

"Quanto mais claro seu intelecto se torna, mais você desenvolve o poder de discernimento. Ao permanecer claro com o Pai, você conseguirá discernir facilmente e então suas decisões serão precisas. Entender a situação e o humor daqueles que estão em contato com você e interagir de acordo é um grande poder que o torna a personificação do sucesso."
Brahma Kumaris

Observação

"Aceitação do “que é” não significa concordar com isso. Não é preciso concordar ou discordar. Isso é o que é. O importante é a nossa reação ao que a vida nos apresenta. Falta de reação não quer dizer “não agir”, mas não ser afetado. Não nos tornamos “não afetados” quando “fazemos esforços” para não sermos afetados, mas quando temos em nossas veias uma aceitação infinita das coisas. Por isso a importância da observação. Até que aprendamos a observar tudo ao nosso redor e dentro de nós, sem rotular, seremos presas fácil dos eventos da vida. Para ter tal poder de observação precisamos meditar e assimilar. É aqui onde a solitude adquire importância crucial."
Brahma Kumaris

Serviço altruísta

O serviço altruísta tem as seguintes características:
- sempre encoraja;
- demonstra interesse;
- destrói o medo;
- constrói autoconfiança;
- desperta esperança;
- revela amor sem interesse;
- presenteia outros com a natureza divina daquele que serve.
Quando você serve os outros de forma preciosa assim, Deus o coloca no coração Dele. Quanto melhor é dar do que receber!"

Brahma Kumaris

Silêncio

"Seja qual for a situação, vá fundo no silêncio e veja o poder que vem de dentro. Silêncio interno profundo é a medicina que promove a cura de ferimentos e mágoas do passado. Quando há silêncio, novas ideias florescem, talentos são fortificados e tudo se acomoda facilmente".
Brahma Kumaris

Constância

"Para ser uma rocha para os outros eu preciso permanecer num terreno sólido. Saber quem sou e com que posso contar para então dar a eles. Eu só desenvolvo esse tipo de consciência quando tenho a disciplina de recarregar minhas baterias espirituais todos os dias. As primeiras horas matinais são os momentos mais poderosos para obter paz e amor de Deus na meditação. Assim posso caminhar durante o dia com um estoque de sabedoria e com a garantia de que estarei presente na hora que eles precisarem de mim."
Brahma Kumaris

Foco positivo

"Faça uma lista das coisas que você mais se preocupa e veja se elas estão sob sua influência ou se você está sendo influenciado por elas. Pense no que você pode realmente fazer para ter uma influência sobre cada uma delas de forma eficaz. Ao determinar qual desses dois lados predomina você pode descobrir muito sobre o seu nível de positividade. Pessoas positivas se concentram nas coisas sobre as quais podem fazer algo a respeito. Se necessário, elas mudam de atitude. Elas sabem que não podem mudar as circunstâncias, mas podem melhorar a própria atitude interior. Foco positivo é isso: ser criativo, pensar de forma diferente, ser aberto a ouvir, ser mais compreensivo, ser mais comunicativo e mostrar mais solidariedade."
Brahma Kumaris

Anjos

"Geralmente os anjos são mostrados como criancinhas com asas, simbolizando inocência e pureza. A pureza de um anjo é representada pela aura ou auréola de luz. O amor de um anjo pela humanidade é ilimitado, mas completamente desapegado assim como o Amor do Supremo. Os pensamentos, palavras e ações de um anjo tem o efeito de abençoar outras pessoas, como se ele fosse capaz de perceber instintivamente as necessidades de cada um e atender à elas. Os anjos geralmente aparecem com varinhas mágicas nas mãos, com as quais derramam bênçãos sobre os outros. Um anjo é um farol conectado com Deus, que irradia os raios espirituais de luz, força, amor, paz, felicidade e poder Divino aos outros."
Brahma Kumaris

Confiança

"Quando começo a confiar em mim eu paro de olhar para os outros para provar meu próprio mérito. Quando busco internamente por respostas eu começo a aumentar a confiança em mim. Essa confiança me liberta de perguntar aos outros o que fazer e de ser dependente de orientação externa. Que hoje eu confie na voz quieta da minha intuição e considere as orientações sábias que ela me revela."
Brahma Kumaris

Gentileza


"Gentileza é normalmente vista como um toque suave, um olhar que acalma, palavras de conforto. Mas, na verdade, gentileza é a manifestação da nossa força interior, com base no entendimento dos sentimentos dos outros. Ela não perturba, não empurra, não impõe; simplesmente oferece ajuda. Gentileza é como o espírito de uma criança, cujo otimismo espontâneo mantém as pessoas leves e felizes".
Brahma Kumaris

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Fé combina confiança e humildade. Fé diz: "Plante as sementes certas,..."

"Fé combina confiança e humildade. Fé diz: "Plante as sementes certas, faça o esforço certo, mas também deixe a coisas serem". Fé não significa ser passivo. Fé é ter agido e pensado sobre algo e então ter a paciência e a confiança de que o Drama da Vida também está cuidando disso. Fé é saber que o resultado de qualquer ação não depende só de mim. Que hoje eu tenha fé.”
Brahma Kumaris

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Direito à vida, por Luiz Inácio Lula da Silva


Em todo o mundo, seja nos países ricos, em desenvolvimento ou pobres, o acesso a tratamentos médicos mais avançados está cada vez mais desafiador.  Muitos dos doentes não conseguem beneficiar-se dos medicamentos que poderiam curá-los ou pelo menos prolongar as suas vidas.

 A questão não é mais se existe cura para uma doença — porque, em muitos casos, ela existe — mas de saber se é possível para o paciente pagar a conta do tratamento. Milhões de pessoas encontram-se hoje nessa situação dramática, desesperadora: sabem que há um remédio capaz de salvá-las e aliviar o seu sofrimento, mas não conseguem utilizá-lo, devido ao seu custo proibitivo.

Há uma frustrante e desumana contradição entre admiráveis descobertas cientificas e o seu uso restritivo e excludente.

De um lado, temos as empresas farmacêuticas, que desenvolvem novas drogas, com investimentos elevados e testes sofisticados e onerosos. De outro, temos aqueles que financiam os tratamentos médicos: os governos, nos sistemas públicos, e as empresas de planos de saúde, na área privada. No centro de tudo, o paciente, lutando pela vida com todas as suas forças, mas que não tem condição de pagar para sobreviver.

Nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama trava há anos uma batalha com a oposição conservadora para estender a cobertura de saúde a milhões de pessoas. Na Europa, mesmo em países ricos o sistema público muitas vezes não consegue garantir o pleno acesso aos novos medicamentos. No Brasil, cada vez o governo precisa de mais recursos para os medicamentos que compra e fornece gratuitamente, inclusive alguns de nova geração. E na África, o HIV atinge contingentes enormes da população, ao mesmo tempo que doenças tropicais como a malária, perfeitamente evitáveis, continuam causando muitas mortes e deixaram de ser priorizadas pelas pesquisas dos grandes laboratórios.

Um vídeo que circula na Internet, feito por uma companhia de celular, tem emocionado o mundo ao mostrar os dramas entrelaçados de um garoto pobre da Tailândia que tem que roubar para obter remédios para sua mãe, e o de uma jovem tendo que lidar com as contas astronômicas de hospital para salvar o seu pai.

Conheço o drama de ter entes queridos sem um tratamento de saúde digno.  Em 1970, perdi minha primeira esposa e meu primeiro filho numa cirurgia de parto, devido ao mau atendimento hospitalar. Os anos que se seguiram, de luto e dor, foram dos mais difíceis da minha vida.

Por outro lado, em 2011, já como ex-presidente, enfrentei e superei um câncer graças aos modernos recursos de um hospital de excelência, cobertos pelo meu plano privado de saúde. O tratamento foi longo e doloroso, mas a competência e atenção dos médicos, e o uso dos medicamentos de ponta, me permitiram vencer o tumor.

É fácil ver as empresas farmacêuticas como as vilãs desse processo, mas isso não resolve a questão. Quase sempre são empresas de capital aberto, que se financiam  principalmente através de ações nas bolsas de valores, competindo entre si e com outras corporações, de diversos setores econômicos, para financiar os custos crescentes das pesquisas e testes com novas drogas. O principal atrativo que oferecem aos investidores é a lucratividade, mesmo que essa se choque com as necessidades dos doentes.

Para dar o retorno pretendido, antes que a patente expire, a nova droga é vendida a preços absolutamente fora do alcance da maioria das pessoas. Há tratamentos contra o câncer, por exemplo, que chegam a custar 40 mil dólares cada aplicação. E, ao contrário do que se poderia imaginar, a concorrência não está favorecendo a redução gradativa dos preços, que são cada vez mais altos a cada nova droga que é produzida. Sem falar que esse modelo, guiado pelo lucro leva as empresas farmacêuticas a privilegiarem as pesquisas sobre doenças que dão mais retorno financeiro.

O alto custo desses tratamentos tem feito com que planos privados muitas vezes busquem justificativas para não dar acesso a eles, e que gestores de sistemas públicos de saúde se vejam, em função dos recursos finitos de que dispõem, frente a um dilema: melhorar o sistema de saúde como um todo, baseado em padrões médios de qualidade, ou priorizar o acesso aos tratamentos de ponta, que muitas vezes são justamente os que podem salvar vidas?

O preço absurdo dos novos medicamentos tem impedido a chamada economia de escala: em vez de poucos pagarem muito, os remédios se pagariam ­­— e seriam muito mais úteis — se fossem acessíveis a mais pessoas.

 A solução, obviamente, não é fácil, mas não podemos nos conformar com o atual estado de coisas. Até porque ele tende a se agravar na medida em que mais e mais pessoas reivindicam, com toda a razão, a democratização do acesso aos novos medicamentos. Quem, em sã consciência, deixará de lutar pelo melhor tratamento para a doença do seu pai, sua mãe, seu cônjuge ou seu filho, especialmente se ela traz grande sofrimento e risco de vida?

Trata-se de um problema tão grave e de tamanho impacto na vida — ou na morte — de milhões de pessoas, que deveria merecer uma atenção especial dos governos e dos órgãos internacionais, e não só de suas agências de saúde. Não pode na minha opinião continuar sendo tratado apenas como uma questão técnica ou de mercado. Devemos transformá-lo em uma verdadeira questão política, mobilizando as melhores energias dos setores envolvidos, e de outros atores sociais e econômicos, para equacioná-lo de um modo novo, que seja ao mesmo tempo viável para quem produz os medicamentos e acessível para todos os que precisam utilizá-los.

Não exerço hoje nenhuma função pública, falo apenas como um cidadão preocupado com o sofrimento desnecessário de tantas pessoas, mas acho que um desafio político e moral dessa importância deveria ser objeto de uma conferência internacional convocada pela Organização Mundial de Saúde, com urgência, na qual os vários segmentos interessados discutam francamente como compartilhar os custos da pesquisa cientifica e industrial com o objetivo de reduzir o preço do produto final, colocando-o ao alcance de todos que necessitam dele.

Não há dúvida de que todos os setores vinculados à medicina avançada devem ter os seus interesses levados em conta. Mas a decisão entre a vida e a morte não pode depender de preço.    

--
José Chrispiniano
Assessoria de Imprensa
Instituto Lula
55 11 2065-7022/99563-0286

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Músicas poéticas 2: "É preciso amor pra poder pulsar É preciso paz pra poder sorrir É preciso a chuva para florir"..."cada um de nós compõe a sua história"


Tocando em frente
Composição: Almir Sater e Renato Teixeira


Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei, ou nada sei..

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha ir tocando em frente
como um velho boiadeiro
levando a boiada eu vou tocando os dias
pela longa estrada eu vou, estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega no outro vai embora
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
e ser feliz

Conhecer as manhas e as manhãs
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Ando devagar porque já tive pressa
levo esse sorriso porque já chorei demais
cada um de nós compõe a sua história
cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz

Músicas poéticas: "Há de surgir uma estrela no céu toda vez que você sorrir"...



Há de surgir
Uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar
Uma estrela no céu
Cada vez que você chorar

O contrário também
Bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar
Quando a lágrima cair
Ou então
De uma estrela cadente se jogar
Só pra ver
A flor do seu sorriso se abrir

Hum!
Deus fará
Absurdos
Contanto que a vida
Seja assim
Sim
Um altar
Onde a gente celebre
Tudo o que Ele consentir

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Portal. Flores às sombras.

Neste lugar. 

Que não se acaba.  Um infinito no fim.

Como antes, do seu devido jeito. 

Ruindo, aflorando, vivendo.

Resistindo em forma inimaginável. 

Lá está!

Tempo em parafuso. Inverno en-fim.

Primaveras em re-começo.

Voam os galhos, folhas. Flores às sombras.


Miguel, outubro de 2013.








quarta-feira, 25 de setembro de 2013

DEMOCRACIA E PARCERIA, por Luiz Inácio Lula da Silva

São gravíssimos os atos de espionagem praticados pela NSA – a Agência Nacional de Segurança dos EUA – contra os Chefes de Estado do Brasil e do México. Nada, absolutamente nada pode justificar a interceptação de telefonemas e a invasão da correspondência reservada dos Presidentes da República de países amigos, ferindo a sua soberania e desrespeitando os princípios mais elementares da legalidade internacional. E é mais grave ainda que importantes autoridades norte-americanas tenham querido legitimar tal agressão com o argumento de que os EUA estariam “protegendo” os interesses dos nossos países.

À medida que a verdade dos fatos vai sendo revelada, fica evidente que, no caso brasileiro, além da Presidente Dilma Rousseff, a Petrobrás, nossa empresa petrolífera, também foi espionada pela NSA, o que desmente as alegadas – e já por si inaceitáveis – razões de segurança.

A inadmissível ingerência nos assuntos internos do Brasil e as falsas razões alegadas provocaram a indignação da sociedade e do governo brasileiros. A Presidente Dilma Rousseff já questionou diretamente o Presidente Barack Obama sobre o problema e aguarda uma resposta convincente, à altura de sua gravidade.

O governo brasileiro está tratando o caso com a maturidade e o sentido de responsabilidade que caracterizam a Presidente Dilma Rousseff e a nossa diplomacia – mas é impossível subestimar o impacto que ele pode ter, se não for adequadamente resolvido, para as relações Brasil-EUA.

Basta imaginar o escândalo e a comoção que aconteceriam nos Estados Unidos se algum país amigo interceptasse ilegalmente, sob qualquer pretexto, os telefonemas e a correspondência reservada de seu Presidente.

O que leva um país como os EUA, tão justamente ciosos de sua democracia e de sua legalidade internas, a afrontarem a democracia e a legalidade dos outros? O que faz pensar às autoridades norte-americanas que elas podem e principalmente devem agir de modo tão insensato contra um país amigo? O que as faz acreditar que não existe nenhum inconveniente moral ou político em desrespeitar o Chefe de Estado, as instituições e as empresas do Brasil ou de qualquer outro país democrático?

E o mais inexplicável é que essa flagrante ofensa à soberania e à democracia brasileiras acontece num contexto de excelentes relações bilaterais. O Brasil, historicamente, sempre valorizou as suas relações com os Estados Unidos. Nos últimos dez anos, trabalhamos ativamente, e com bons resultados, para ampliar ainda mais a interação econômica e política do Brasil com os EUA.  Mantivemos ótimo diálogo institucional e pessoal com os seus governantes. Apostamos em uma parceria de fato estratégica entre os dois países, baseada em interesses comuns, sem prejuízo do nosso esforço pela integração da América Latina e de um maior intercambio com a África, a Europa e a Ásia.

Para isso, não hesitamos em enfrentar a desconfiança e o ceticismo de amplos setores da opinião pública brasileira, ainda traumatizados pela participação direta do governo norte-americano no golpe de Estado de 1964 e o seu permanente apoio à ditadura militar (como, de resto, a outras ditaduras militares do continente). Nunca duvidamos de que aprofundar o diálogo e fortalecer os laços econômicos e diplomáticos com os Estados Unidos fosse a melhor maneira de ajudá-los a superarem aquela página sombria das relações interamericanas, e a sua política de ingerência autoritária e antipopular na região.

No episódio atual, se ambos os países querem preservar o muito que as nossas relações bilaterais avançaram nas décadas recentes, cabe uma explicação crível e o necessário pedido de desculpas dos EUA. Mais do que isso: impõe-se a sua decidida mudança de atitude, pondo fim a tais práticas abusivas.

 Os EUA devem compreender que a desejável parceria estratégica entre os dois países não pode assentar-se na atitude conspirativa de uma das partes. Condutas ilegais e desrespeitosas certamente não contribuem para construir uma confiança duradoura entre os nossos povos e os nossos governos.

Um episódio como esse, por outro lado, demonstra o esgotamento da atual governança mundial, cujas instituições, regras e decisões são frequentemente atropeladas por países que muitas vezes confundem seus interesses particulares com os interesses de toda a comunidade internacional. Demonstra que é mais urgente do que nunca superar o unilateralismo, seja ele dos EUA ou de qualquer outro país, e criar verdadeiras instituições multilaterais, capazes de conduzir o planeta com base nos preceitos do Direito Internacional e não na lei dos mais fortes.

O mundo de hoje, como ninguém ignora, é muito diferente daquele que emergiu da 2ª Guerra Mundial. Além da descolonização africana e asiática, diversos países do sul se modernizaram e industrializaram, conquistando importantes progressos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, adquiriam um peso muito superior no cenário mundial. Hoje, os países que não fazem parte do G-8 representam nada menos que 70% da população e 60% da economia do mundo. Mas a ordem política global continua tão monopolizada e restritiva quanto no inicio da guerra fria. A maioria dos países do mundo está excluída dos verdadeiros espaços de decisão. É injustificável, por exemplo, que a África e a América Latina não tenham nenhum membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ou que a Índia esteja fora dele. A governança global precisa refletir o mundo contemporâneo. O Conselho de Segurança só será plenamente legítimo e democrático – e acatado por todos – quando as várias regiões do mundo participarem dele, e os seus membros não defenderem apenas os próprios interesses geopolíticos e econômicos, mas representarem efetivamente o anseio de todos os povos pela paz, a democracia e o desenvolvimento.

Esse episódio e outros semelhantes apontam também para uma questão crucial: a necessidade de uma governança democrática para a internet, de modo que ela seja cada vez mais um terreno de liberdade, criatividade e cooperação – e não de espionagem.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil